O Teatro sou Eu


Sempre tive muito respeito e grande admiração por quem começou a fazer teatro antes de mim. Mas ultimamente corro dessa gente. Quando encontro um, por acaso, lá vem problema. Lá vem ego destorcido. Lá vem estátua viva. "Medalhões" como eram, depreciativamente chamados antigamente. Muitos já morreram mas os sobreviventes volta e meia dão seu show de estrelismo.
As glórias vivas, a pretensão senil tão nociva quando a pretensão juvenil dos principiantes. Sergio Brito dizia que um ator tem três fases. A primeira quando sabe tão pouco que não sabe o quando ainda tem que aprender. A segunda quando já sabe alguma coisa e sabe o que ainda tem que aprender. A e última quando sabe que muita coisa não vai aprender porque não está ao seu alcance. Esta gente antiga não tem um pé na realidade, vive neste mundo de fantasia das glórias passadas e que só eles recordam. O tempo passou na janela só Carolina não viu.
Como é cansativo conversar com esta gente, você fica pisando em ovos. Como é desagradável, gente de teatro, de modo geral. Tudo é uma ameaça ao ego frágil delas. Ao complexo de inferioridade. Ao colonialismo cultural.
E haja número de peças, recordes de apresentações e anos de teatro. Em arte os números são relativos. Shakespeare escreveu somente 38 peças, muito. Mas muito pouco comparado as 2.200 de Lope de Vega e de outros espanhóis da mesma safra. Mas esta produção shakespereana é muito mais digamos, di-fundida. Para Ariano Suassuna, por exemplo, bastaria ter escrito o "Auto da Compadecida". Portanto os números, em arte, são ainda mais relativos.
(Lope de Vega escreveu 2.200 peças, sendo 1.800 peças, 400 autos. Destas se conhece o título de 723 peças e de 44 autos. Restam 426 peças e 42 autos. Já Tirso de Molina escreveu 400 peças e 86 autos. Calderon de La Barca com 300 obras, sendo 120 comédias, 80 autos e 20 entremezes. Restam 220).
E haja sugestão de homenagens. Porque este ano eu tirei retrato 3x4, fui ao MacDonalds, e cortei as unhas. Tem sempre algum viajando para algum lugar, algum circo, mas não saem de Fortaleza. Toda esta atividade, o passado imorredouro de glórias, o número de espetáculo, anos de teatro, a beleza físi-cas e o grande talento, só a ficção justifica. Como disse Luis XIV o rei sol, o estado sou eu, para este povo o teatro é eles.
No extremo oposto está a geração perdida, como eu chamo os ultra pretenciosos de 95 para cá. O sol gira em torno desta gente. Não gostam de teatro, mas deles mesmos no palco. Aí de quem tiver mais de 25 anos. Dinos-sauros!
Como esta gente é pequena , como é medíocre, como é insignificante. Como procuram me reduzir ao nível delas. Como dizia Sartre O inferno são os outros". Por isso eu gosto de ficar em casa, como Garbo repito no espelho "I want to be alone".


Palco & Platéia


· "Para se fazer teatro basta um tablado e uma paixão". CALDERON DE LA BARCA.

· Não transforme suas limitações em princípios de arte.

· "Que maravilha é o homem". SHAKESPEARE.

· Fora da cultura oficial não há salvação.

CONVERSA DE CAMARIM 01

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