A Versão dos Vencidos

Saiu um livro preto e as vezes saem reportagens sobre a história do Teatro Cearense. Os fatos são tão distorcidos que nos perguntamos, é História ou Ficção? A história como ciência não pode ser manipulada para interesses pessoais.
O depoimento de algumas pessoas parece obra de ficção. Surrealismo puro. Não tem validade histórica. É a versão dos vendidos. Estão vendendo gato por lebre. O pior cego é aquele que só vê o quer.
As reportagens são mais freqüentes. Mas não se pode esperar muito da seriedade delas. O jornalismo é imediatista, muitas vezes superficial e leviano. Mas no dia seguinte o jornal está no lixo. A abordagem da história pretende ser mais séria e analítica. Mal comparando seria entre a postura de uma prostituta e de uma Rainha. Até o final da década de 70 ainda se podia usar o jornal como fonte de pesquisa confiável. As outras fontes confirmavam a versão dos periódicos.
Tal livro, não li e não gostei. Nem precisa ler, já decorei a ladainha deles. Fatos marginais colocados em primeiro plano. Simplesmente Inversão de valores. Não leio mais tudo que sai impresso. Me poupo disso. Me livrei também do cigarro. Todos dois tinha substâncias nocivas.
Até que ponto a história é ciência? Ou é uma questão de interpretar os fotos em benefício próprio? E as revisões posteriores? Em todas as épocas, a História foi escrita pelo Vencedor. Com a inversão de valores daqui, ela passa a ser escrita pelo vencido. Os derrotados dizem Ah! como eu gostaria que fosse assim...e haja lista de espetáculos. Na vida real, no dia a dia teatral, é outra coisa. O público não toma conhecimento da glória pessoal deles. Só os amigos da imprensa.
Tentar dividir o movimento teatral entre esquerda e direita torna a derrota deles ainda pior. Caiu o muro de Berlim e eles perderam todas as bandeiras. Acorda Magali! Quando a bilheteria e outros aspectos prosaicos, se lamentavelmente um grupo fecha seu espaço por falta de público, fracasso mesmo, a imprensa trata com um sucesso, uma vitória. Dá página inteira. Diz que apenas está "dando um tempo". A cidade é cruel.
Fatos secundários como festival sem continuidade e/ou credibilidade são apontados como marcos e sinal de evolução do teatro. Cursos mal planejados e sem infra estrutura, também. Exibição de esquetes, marketing do governo idem, figuram nestas páginas, que parecem o Diário Oficial. Afinal fa-zem parte da cultura oficial. Mais importante que festivais, que não passam de eventos, foi a abertura de novos espaços como Sesc, Dragão do Mar, Ibeu, Marista, Unifor, etc. O importante mesmo, como Auxílio Montagem raramente tem. E só para os apadrinhados.

Palco & Platéia

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