Policarpo Bate Palmas

Quando a gente é criança gosta de coisas que mais tarde não aprecia mais. Assim também acontece com a apreciação da obra de arte. Temos vários "olhares". O olhar infantil, o olhar adolescente, o olhar adulto. Houve época para mim que o melhor filme do mundo era "Os Dez Mandamentos" de Cecil B DeMille. Depois, no fim da adolescência, veio um filme com Sandra Dee e John Gavin, "Com Amor no Coração (Tammy and the Teacher). "Imitação da Vida" com Lana Turner já pertenceu a esta lista dos melhores. Vi três vezes seguidas no São Luiz, no festival de aniversário. A família já estava apavorada. Foi uma overdose de cinema. Mas o filme "era" o máximo. Atualmente, e acho que é definitivo, meu filmes por excelência é "Crepúsculo dos Deuses" de Billy Wilder, meu diretor preferido. Assim vai mudando. Quanto a preferência por atores e atrizes sou totalmente volúvel.

O mesmo acontece com teatro. "Filho do meu Coração" (Redenção, 1958) já foi o melhor do mundo. Depois veio a fase do teatro cearense da década de 60. Apesar da minha falta de parâmetros, acho que eram bons mesmo. Pagador de Promessas (62), Eles não usam Black-Tie (63), "Morro do Ouro" (63), "Casamento da Peraldiana"(66) entre outros. Continuam na minha lista dos 12 mais. Já adulto vi coisas como "Rei da Vela" (67), Macunaíma do Antunes, O Balcão da Ruth Escolar. E peças menos faladas mas que me marcaram com "Rasto Atras'" de Jorge Andrade (SNT, 1967), "Nossa senhora da Flores" ( em 87, vinte anos depois). Em Nova York só cito "Chorus Line" (80). São momentos como estes que nos tornam cativos da arte teatral. Dizem que você se torna um espectador pra toda vida, depois da primeira experiência inesquecível. Você fica retornando ao teatro em busca de reviver aquelas emoções, daquele êxtase. Deve ser verdade.

Como de deve ser verdade o calculo de que um espetáculo vale por dez ensaios. Isto é o rendimento do ator em um espetáculo corresponde a dez ensaios. Ou que um ato deve ter no máximo 40 minutos, que é o tempo máximo de concentração do espectador. Shakespeare obedece a este limite.

Êxtase mesmo eu senti na semana santa em Redenção, num sábado de aleluia. A altar coberto de cortina preta, todos os santos cobertos. E de repente rompe aleluia. O pano cai, revelando o alter iluminado e cheio de fores. Não sabia e não esperava. O contraste entre o preto lúgubre e a radiante luminosidade do altar acompanhado do tocar de sinos e espocar de foguetes. Deve ser assim no céu.


Não vou falar agora dos autores, do textos, preferidos. Mesmo que não estejam anotados, todos temos mentalmente estas listas. Só para não esquecer vou anotar outras coisas. O ballet por excelência: "O Lago dos Cisnes". O conto infantil por excelência: "Cinderela". Nem vou falar do piores. Mas a lista existe. A maioria é do teatro cearense.

Policarpo bate palmas, é uma rubrica de uma das peças de Carlos Câmara que ficou na minha cabeça.

Placo & Platéia

v Não tem.


O QUE VAI SER CONVERSA DE CAMARIM
02 O MONÓPOLIO DO CONHECIMENTO
VOU LHE PRESTIGIAR
A VERSÃO DOS VENCIDOS
APESAR DE VOCÊ...
O TEATRO SOU EU
SÃO GENÉSIO
ANEDOTÁRIO
09 AS ESTRELAS NÃO BRILHAM DE PERTO
10 SIC TRANSIT GLORI
11 AS UVAS ESTÃO VERDES
12 SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
13 A BELA E A TALENTOSA ESTRELA
14 NA CONTRA MÃO

 

MANDE SEU COMENTÁRIO


HOME

HISTÓRIA EM ARTIGOS

GRUPO BAGACEIRA